{"id":13315,"date":"2025-06-02T22:46:22","date_gmt":"2025-06-02T22:46:22","guid":{"rendered":"https:\/\/carmogepereira.pt\/?p=13315"},"modified":"2025-06-02T22:47:02","modified_gmt":"2025-06-02T22:47:02","slug":"2-06-dia-int-des-trabalhadories-do-sexo-por-s","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/2-06-dia-int-des-trabalhadories-do-sexo-por-s\/","title":{"rendered":"2\/06 Dia Int des Trabalhadories do Sexo &#8211; por S."},"content":{"rendered":"<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"13315\" class=\"elementor elementor-13315\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f2a820c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f2a820c\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-714da91\" data-id=\"714da91\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3e2a8d0 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3e2a8d0\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Texto adaptado do discurso lido ap\u00f3s o fim da marcha do &#8220;1\u00b0 de Maio Antiautorit\u00e1rio&#8221;, em 2025. Escrito e Lido por S., publicado a convite de CGP neste site.<\/p><p>N\u00f3s, Trabalhadoras e trabalhadories do sexo, gozamos de um estatuto que n\u00e3o \u00e9 o de trabalhador, nem de sujeito pol\u00edtico, nem de sujeito apenas. Frequentemente chamades a ter de defender a nossa exist\u00eancia, somos vistes enquanto ou mulheres e pessoas exploradas sem qualquer ag\u00eancia, ou enquanto pessoas burguesas que se sentem empoderadas. Nunca enquanto mulheres e pessoas que tomam decis\u00f5es sobre as suas vidas de acordo com as suas circunst\u00e2ncias presentes. O trabalho sexual \u00e9 algo que nos acontece por coa\u00e7\u00e3o e como tal n\u00e3o \u00e9 trabalho, dizem. N\u00e3o existe trabalho empoderador! Somos todes coagides a trabalhar!<\/p><p>Tamb\u00e9m frequentemente apagades da hist\u00f3ria trabalhista e feminista, e, direta ou indiretamente expulsas e expulses de movimentos organizativos, sendo vistes como elementos desestabilizadores de uma ficcional uni\u00e3o de esquerda, apenas lembrades ap\u00f3s os nossos assassinatos, neste 2 de Junho, dia internacional da prostituta\/de trabalhadories do sexo, decidimos recordar uma parte da nossa hist\u00f3ria de luta mundial.<\/p><p>&#8220;Historicamente e de forma precedente \u00e0 do feminismo de segunda vaga, trabalhadories do sexo t\u00eam criado comunidades de ajuda m\u00fatua, tomando conta des filhes colectivamente, partilhando recursos, locais de trabalho e clientes, pagando multas, criando fundos comunit\u00e1rios, distribu\u00edndo bens entre si ap\u00f3s a morte de uma companheira, aliando-se para combater despejos e oferecer alojamento de emerg\u00eancia.&#8221; Portugal tamb\u00e9m \u00e9 exemplo disso, numa escala maior e mais p\u00fablica ap\u00f3s o decreto de estado de emerg\u00eancia, durante a Covid-19, que deixou muites trabalhadories do sexo sem trabalho e recursos.\u00a0<\/p><p>&#8220;Esta defesa m\u00fatua tamb\u00e9m \u00e9 um lugar de a\u00e7\u00e3o\u00a0colectiva. Na d\u00e9cada de 1950, trabalhadories do sexo fizeram parte da insurrei\u00e7\u00e3o de Mau Mau que levou \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do Qu\u00e9nia do dom\u00ednio colonial brit\u00e2nico.&#8221; Nas d\u00e9cadas de 60 e 70, como saberemos, fizeram parte dos protestos na Cafeteria de Compton e no Stonewall Inn, que deram in\u00edcio ao movimento de liberta\u00e7\u00e3o LGBT nos Estados Unidos. &#8220;Em 1974, trabalhadories do sexo na Eti\u00f3pia aderiram \u00e0 Confedera\u00e7\u00e3o dos Sindicatos da Eti\u00f3pia e fizeram parte de a\u00e7\u00f5es de greve que ajudaram a derrubar o Governo.&#8221; Em Portugal sabe-se que, em 1974, logo ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, um grupo de 469 trabalhadories do sexo assinou uma peti\u00e7\u00e3o onde destacou as suas queixas relativas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida, tendo como objetivo a cria\u00e7\u00e3o de um sindicato de trabalhadories do sexo.\u00a0Mais\u00a0nada se sabe sobre qual foi o seguimento desta hist\u00f3ria e a peti\u00e7\u00e3o ficou entregue a uma organiza\u00e7\u00e3o abolicionista, retirando o nosso direito de acesso \u00e0 nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Considera-se, no entanto, que &#8220;o movimento europeu teve in\u00edcio em 1975 quando trabalhadorxs do sexo, em Fran\u00e7a, ocupavam igrejas para protestar contra a viol\u00eancia policial, a criminaliza\u00e7\u00e3o e a pobreza. No Reino Unido, entre 70 e 80, o movimento de trabalhadories do sexo estava profundamente interligado com a campanha \u201csal\u00e1rios pelo trabalho dom\u00e9stico\u201d. Na Bol\u00edvia, em meados dos anos 2000, 35 mil trabalhadories do sexo participaram em v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es contra viol\u00eancia policial e fecho de locais de trabalho. Algumas pessoas coseram os seus l\u00e1bios em protesto, amea\u00e7ando tamb\u00e9m que se iriam enterrar\u00a0vives\u00a0se n\u00e3o fossem\u00a0ouvides\u00a0imediatamente.\u00a0<wbr \/>Outres\u00a0bloquearam o tr\u00e2nsito e entraram em greve de fome.&#8221;<\/p><p>No Brasil, os movimentos de trabalhadoras do sexo e mulheres trans estiveram desde inicio ligados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de tratamento do VIH-SIDA. Assim como, desde 1979, presentes na luta contra a viol\u00eancia policial.<\/p><p>Recentemente, no M\u00e9xico, mulheres trans trabalhadoras do sexo irromperam pelo tribunal onde um assassino de uma companheira trans tinha sido absolvido, tendo partido portas, derrubado mesas, vandalizando o edif\u00edcio em protesto.<\/p><p>Estes s\u00e3o apenas alguns exemplos de uma hist\u00f3ria de combatividade extensa, e muita dela ainda est\u00e1 por se saber.<\/p><p>Em 2025, ainda somos alvo de legisla\u00e7\u00f5es mundiais cujos prop\u00f3sitos s\u00e3o, dependendo dos modelos, a higieniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, encarceramento e reabilita\u00e7\u00e3o com trabalho prisional, controlo de autonomia, de mobilidade, da \u201ccapacidade\u201d maternal e mental de mulheres, manuten\u00e7\u00e3o da pobreza, vulnerabilidade laboral e controlo de fronteiras. E ainda lutamos, por todo o mundo, pelo fim da criminaliza\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia, pelo direito laboral, pela autonomia, fim da repress\u00e3o, vulnerabilidade e fim da deporta\u00e7\u00e3o das de n\u00f3s que s\u00e3o migrantes.\u00a0<\/p><p>Trabalho sexual \u00e9 trabalho mas este slogan n\u00e3o deve tornar-se um pin, como se fosse tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio ouvir, saber ou fazer, enquanto se continua a infantilizar, a apagar, ou a instrumentalizar-nos.<\/p><p>Tamb\u00e9m \u00e9 um slogan que dever\u00e1 lembrar-se desta sua hist\u00f3ria e recusar conter desejos de aceita\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o por entidades cuja legitimidade para nos aceitar n\u00e3o deve ser reconhecida.\u00a0<\/p><p>A luta \u00e9 com as putas ou n\u00e3o ser\u00e1.\u00a0\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p><p>*Cita\u00e7\u00e3o de Revolting Prostitutes: The Fight for Sex Workers&#8217; Rights, Molly Smith e Juno Mac, 2018<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8193c6a elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"8193c6a\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"240\" height=\"300\" src=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-240x300.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-13321\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-240x300.png 240w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-819x1024.png 819w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-768x960.png 768w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-10x12.png 10w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1-980x1225.png 980w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto adaptado do discurso lido ap\u00f3s o fim da marcha do &#8220;1\u00b0 de Maio Antiautorit\u00e1rio&#8221;, em 2025. 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