{"id":4408,"date":"2016-03-23T00:53:00","date_gmt":"2016-03-23T00:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/carmogepereira.pt\/vaiserperfeito\/2022\/08\/29\/copia-meter-a-colher-amor-e-amor-abuso-a-parte\/"},"modified":"2022-08-30T00:42:25","modified_gmt":"2022-08-30T00:42:25","slug":"guiatraida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/guiatraida\/","title":{"rendered":"&#8220;Guia para N\u00e3o ser tra\u00edda&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/vaiserperfeito\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-300x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4410\" srcset=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-300x300.jpg 300w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-150x150.jpg 150w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-12x12.jpg 12w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-500x500.jpg 500w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-100x100.jpg 100w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia-50x50.jpg 50w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/tertulia.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Fotografia em tert\u00falia feminista na Livraria Confraria Vermelha, 2016<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A convite de uma das Revistas Femininas de maior circula\u00e7\u00e3o em Portugal foi-me pedido que contribu\u00edsse para o artigo &#8220;Guia para N\u00e3o ser tra\u00edda&#8221;. Abaixo dou resposta a alguns dos t\u00f3picos ou dicas que me foram enviados para comentar e completar sobre poss\u00edveis raz\u00f5es que levem a uma poss\u00edvel trai\u00e7\u00e3o.<br>Devo dizer que h\u00e1 uma ideia essencial neste t\u00f3pico da trai\u00e7\u00e3o. Em todo este texto irei falar, como me foi pedido de mulheres tra\u00eddas pelos parceiros, homens. Sendo que haver\u00e1 tamb\u00e9m mulheres que traem e rela\u00e7\u00f5es mais diversas que as heterossexuais. Irei tamb\u00e9m interpretar trai\u00e7\u00e3o como quebra do acordo de exclusividade sexual de uma rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica, sem aviso pr\u00e9vio ou reestrutura\u00e7\u00e3o do acordo que une as partes envolvidas. Posto isto, ser\u00e1 essencial perceber que caso haja trai\u00e7\u00e3o, A PESSOA TRA\u00cdDA N\u00c3O TEM CULPA. Achar que recaem sobre os ombros da mulher e suas atitudes a responsabilidade de uma ac\u00e7\u00e3o pouco \u00e9tica do parceiro \u00e9 fruto de uma cultura sexista e machista que p\u00f5e a responsabilidade de uma rela\u00e7\u00e3o feliz apenas de um dos lados da balan\u00e7a, do lado da mulher, encantonada no papel de cuidadora e protectora da rela\u00e7\u00e3o ideal. E a todas n\u00f3s, caras leitoras, nos parece um pouco ultrapassada esta ideia, n\u00e3o?<br>A forma principal de evitar ser tra\u00edda \u00e9 ter uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com algu\u00e9m em quem eticamente confiamos e da qual esperamos atitudes correctas. E, se foi tra\u00edda, A PESSOA TRA\u00cdDA N\u00c3O TEM CULPA que o parceiro seja, ou tenha tido um momento de, cretino. A CULPA e TOTAL RESPONSABILIDADE DA TRAI\u00c7\u00c3O \u00e9 da pessoa que a exerce. Que incorre nesse momento numa quebra do acordo estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Passo ent\u00e3o a responder aos t\u00f3picos que me foram enviados como&nbsp;&#8220;motivos que levam os homens a trair&#8221;&nbsp;onde me pediram&nbsp;&#8220;dar o outro lado ou seja as respostas para evitar, assim:&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b&#8221;\u200b+ Dar aten\u00e7\u00e3o ao parceiro (penso que um dos motivos trai\u00e7\u00e3o \u00e9 falta de aten\u00e7\u00e3o) mas\u2026. Dar aten\u00e7\u00e3o como? N\u00e3o pode correr o risco de se tornar a m\u00e3e dele!\u200b&#8221;\u200b<br>\u200b Todos n\u00f3s temos momentos em rela\u00e7\u00f5es em que as balan\u00e7as de poder est\u00e3o desequilibradas e momentos tamb\u00e9m em que n\u00e3o temos tanta disponibilidade para o outro como gostariamos. \u00e9 importante que isto sejam s\u00f3 momentos e n\u00e3o constantes numa rela\u00e7\u00e3o onde um d\u00e1 e o outro apenas recebe. Em todo caso, A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b &#8220;\u200b+N\u00e3o ter tabus sexuais (ter \u00abesquisitices\u00bb na cama pode atrapalhar e levar o parceiro a procurar fora a realiza\u00e7\u00e3o de fantasia), assim\u2026 at\u00e9 onde saber os limites para n\u00e3o intimidar o parceiro e tamb\u00e9m n\u00e3o ferir os pr\u00f3prios valores da mulher?&#8221;<br>N\u00e3o sabemos bem quais estes valores da mulher que poder\u00e3o ficar feridos por actos sexuais consensuais e por vontade pr\u00f3pria. Nem o que \u00e9 entendido por esquisitice. O mais importante quando se embarca em rela\u00e7\u00f5es sexuais \u00e9 que estas sejam da vontade e desejo dos envolvidos. Dever\u00e1 saber ouvir o parceiro e expressar os desejos claramente. Em lugar nenhum se dever\u00e1 sujeitar a situa\u00e7\u00f5es contra a sua vontade e desejos apenas para tentar segurar uma rela\u00e7\u00e3o ou por press\u00e3o do parceiro. H\u00e1 um nome para tal: viola\u00e7\u00e3o no contexto conjugal. A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b &#8220;\u200b+\u200bSaber ouvir\u2026 (acho que \u00e9 outra das queixas deles\u2026) mas saber ouvir n\u00e3o \u00e9 ficar muda, certo?! E saber ouvir n\u00e3o \u00e9 poder julgar, certo?! Como actuar no t\u00f3pico saber ouvir\u2026.&#8221;<br>Enquanto um dos nossos 5 sentidos, a audi\u00e7\u00e3o, quando podemos usufruir dela, \u00e9 um dos sentidos orientadores. A escuta activa implica resposta, mas mais do que isso, numa rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u00e9 aconselhado empatia e capacidade de nos pormos no lugar do outro e vice-versa. Por mais duras que sejamos, julgar a pessoa com quem estamos em vez de procurar compreender \u00e9 ingrato para a nossa rela\u00e7\u00e3o, logo para n\u00f3s. O mesmo \u00e9 esperado do outro lado quando nos predispomos a fazer um caminho de crescimento juntos. A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<br>\u200b<br>\u200b&#8221;\u200b+Frequ\u00eancia sexual (talvez seja outra queixa deles), como a mulher que quer evitar ser tra\u00edda deve actuar? Fazer sexo por agenda para \u00abmarcar ponto\u00bb? mesmo que esteja estafada depois de dez horas de trabalho fora e umas quantas em casa?!&#8221;<br>A dupla jornada da mulher \u00e9 um dos problemas mais comuns na sociedade em que vivemos. A sugest\u00e3o \u00e9 que em vez de se obrigar a ter sexo com o parceiro, discutam sobre a melhor forma de dividir as tarefas dom\u00e9sticas que a ambos cabem, de forma a que ambos tenham disponibilidade para o outro quando chega a hora de deitar e nos momentos em que podem desfrutar de intimidade. A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u200b+ Falar com voz de beb\u00e9!! (achei este curioso numa pesquisa que fiz sobre o que irrita alguns homens)&#8221;<br>Curiosamente, a infantiliza\u00e7\u00e3o da mulher \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da objectifica\u00e7\u00e3o e da sociedade patriarcal, como forma de retirar autonomia e desclassificar enquanto ser adulto, relegando-a a uma infantilidade que permite que a tratemos com a mesma ag\u00eancia que a uma crian\u00e7a. Posto isto, caso tenha este h\u00e1bito, perguntar ao parceiro se irrita n\u00e3o me parece nada mal pensado e dispor-se tamb\u00e9m a esclarecer quais atitudes ou ac\u00e7\u00f5es do parceiro preferiria que n\u00e3o fizessem parte do vosso quotidiano. Se est\u00e3o bem com uma comunica\u00e7\u00e3o mais infantil por acharem mais fofinho ou fazer parte da vossa tara, \u00f3ptimo, continuem. Como pode ver, A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u200b+ Zelar pela auto estima do parceiro (valorizar \u00e9 outra das queixas deles), ter uma parceira que valorize \u00e9 fundamental, penso, mas como deve a mulher actuar para n\u00e3o correr o risco de ser \u00abfalsa\u00bb ou \u00abexagerada\u00bb e valorizar sempre n\u00e3o \u00e9 mimar demais?! Como se tudo o que ele fizesse fosse cinco estrelas, mesmo quando acabou de raspar com o carro numa parede?!&#8221;<br>A auto-estima, \u00e9 como o nome indica, algo que faz parte do processo de cada um e do trabalho interno de cada pessoa construir, manter e melhorar. Rela\u00e7\u00f5es destrutivas neste sentido s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas abusivas e nada saud\u00e1veis. Se sente que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o abusiva como v\u00edtima ou agressora, procure ajude junto de profissionais e associa\u00e7\u00f5es. Conta-se tamb\u00e9m que se escolhemos algu\u00e9m para partilhar a vida seja porque valorizamos a pessoa e que esta parceria \u00e9 feita de apoio e n\u00e3o de estrat\u00e9gias de desvaloriza\u00e7\u00e3o para que a pessoa n\u00e3o saia dos nossos bra\u00e7os. N\u00e3o queremos que a pessoa que est\u00e1 connosco tenha como \u00fanica raz\u00e3o o facto de achar que n\u00e3o arranja nada melhor. O mesmo vale para os dois lados.&nbsp; A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b&#8221;\u200b+ N\u00e3o tratar o parceiro como mais um filho\u200b&#8221;\u200b &nbsp;<br>Primeiro \u00e9 importante dizer que nem todas as mulheres t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de serem m\u00e3es, n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o da qual a todas incumbiram para a salva\u00e7\u00e3o da humanidade. Portanto o mais um \u00e9, no m\u00ednimo, acess\u00f3rio. Em seguida, tudo depende da rela\u00e7\u00e3o e n\u00edvel de automia que tem com os filhos existentes. Conta-se que n\u00e3o tenha com eles uma rela\u00e7\u00e3o sexualizada e poder\u00e1 querer t\u00ea-la com o seu parceiro. Logo a\u00ed, ser\u00e1 diferente. Tratar a pessoa com quem est\u00e1 como dependente e sem autonomia pode desempoderar ambos e sobrecarregar a mulher. Tamb\u00e9m poder\u00e1 contribuir para menos desejo sexual o facto de estar a infantilizar o seu parceiro. Voltamos a refor\u00e7ar, que mesmo sendo este o caso,&nbsp; A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b&#8221;\u200b+ Propor-lhe fantasia, surpresas er\u00f3ticas \u2013 como actuar sem correr o risco que ele se \u00abhabitue\u00bb a que a iniciativa seja sempre dela&nbsp; fique \u00abadormecido\u00bb?&#8221;<br>A partilha de fantasias e de um universo er\u00f3tico em comum, quando exercida em contexto de casal \u00e9 algo que a ambos pertence. Momentos de maior desejo entre o casal alimentar\u00e3o outros momentos. Quanto mais intimidade e rela\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias tiverem mais procurar\u00e3o ter. Posto isto, A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u200b+ Dever\u00e1 a mulher ter outros amantes para ter maior curr\u00edculo sexual e melhorar a vida sexual com o parceiro? Pode ser um conselho&nbsp;<em>out<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>alternativo<\/em>!\u200b&#8221;<br>Encarar qualquer aventura ou experi\u00eancia sexual como parte de uma lista obrigat\u00f3ria que nos \u00e9 impingida ou algo que devemos seguir para n\u00e3o sermos&nbsp;<em>caretas<\/em>&nbsp;\u00e9 um absoluto disparate, dever\u00e1 sim procurar o que a satisfaz, quais os seus desejos e fantasias e, criando ambientes de seguran\u00e7a emocional, f\u00edsica e sexual, dispor-se a experimentar aquilo que a deixa curiosa. N\u00e3o fa\u00e7a nada para ser mais&nbsp;<em>alternativa<\/em>&nbsp;que v\u00e1 contra aquilo que deseja e em que acredita, at\u00e9 porque corre o risco de se violentar e por em situa\u00e7\u00f5es inc\u00f3modas e violentas para si e para o seu corpo que poder\u00e3o deixar mais ou menos marcas. A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b&#8221;\u200b+ Deixar de usar lingerie provocante, e adoptar o \u201ccuec\u00e3o\u201d de algod\u00e3o, s\u00f3 porque j\u00e1 tiveram filhos, s\u00f3 porque acha que n\u00e3o est\u00e1 em forma, etc\u2026&#8221;<br>H\u00e1 quem compare o uso de lingerie ao uso de armaduras, de algo que a protege e lhe d\u00e1 for\u00e7a. Se se sente mais empoderada, mais sensual ou sexual (sendo isto que procura) ao usar determinadas pe\u00e7as de roupa, use-as como um totem, n\u00e3o prescindindo nunca de conforto (uma lingerie bem escolhida dever\u00e1 deix\u00e1-la confort\u00e1vel), mas n\u00e3o para o outro, para si, para sentir o que procura, para ganhar um pouco mais de seguran\u00e7a, esquecendo as normatividades e restri\u00e7\u00f5es impostas por c\u00f3digos de beleza sociais. \u00c9 perfeitamente leg\u00edtimo, ser e sentir-se sexy com umas cuecas de algod\u00e3o. A sensualidade n\u00e3o parte de acess\u00f3rios mas sim da atitude com que se usam. A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA<br>\u200b<br>&#8220;\u200b+ Ver mais pornografia e videos er\u00f3ticos funcionar\u00e1 para ser melhor na cama ?&#8221;\u200b<br>Ver pornografia, v\u00eddeos er\u00f3ticos, ler livros com conte\u00fado sexual, tudo isto s\u00e3o passos que poderemos tomar no sentido de aumentar o nosso universo er\u00f3tico, perceber melhor quais os nossos desejos e fantasias. Tamb\u00e9m poder\u00e1 ser uma \u00f3ptima chance de criar um ambiente de cumplicidade entre o casal. Mas de forma alguma a maioria da pornografia poder\u00e1 ser considerada como Educa\u00e7\u00e3o sexual. Procure aconselhamento, educadores sexuais para adultos, textos e informa\u00e7\u00e3o produzida aos olhos contempor\u00e2neos e largue essa ideia que existe algo como o considerado bom ou mau de cama. Existem melhores t\u00e9cnicas, bons e maus encontros e momentos e acima de tudo comunica\u00e7\u00f5es e desejos mais afinados em determinadas parelhas. Procure ter mais aten\u00e7\u00e3o ao outro quando o toca, comunicar como gosta de ser tocada e experimentarem em casal aquilo que vos deixa tentados. Acima de tudo, informem-se, comuniquem e entreguem-se. A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u200b+ Que ela n\u00e3o critique os amigos \/ fam\u00edlia dele \u00e9 o sonho de qualquer homem?!&#8221; \u200b<br>As fam\u00edlias de origem e os conflitos entre estas e a nova fam\u00edlia s\u00e3o uma das raz\u00f5es mais comuns para conflitos entre o casal. Cabe a cada um de voc\u00eas n\u00e3o permitir que seja invasiva e perturbadora o papel, nem o peso da fam\u00edlia de origem, sem prescindir do apoio m\u00fatuo prestado e aproveitando para criar mais la\u00e7os de afectividade. Em princ\u00edpio poder\u00e3o encarar a fam\u00edlia e os amigos de cada um como uma bel\u00edssima hip\u00f3tese de gostarem muito de quem o vosso amor gosta. \u00c9 importante, que enquanto pessoas aut\u00f3nomas mantenham as vossas rela\u00e7\u00f5es pessoais e amigos, como mais um circulo social e que n\u00e3o se fechem nem limitem a uma viv\u00eancia apenas de casal, reduzindo-se a apenas uma parte do que s\u00e3o. Para al\u00e9m de parceiras, somos amigas, primas, tias, profissionais. Porqu\u00ea reduzir a vida a apenas um lado? O isolamento de uma parceiro, e conflitos com cada pessoa que est\u00e1 na sua vida \u00e9 tamb\u00e9m uma caracter\u00edstica de uma rela\u00e7\u00e3o abusiva. Esteja atenta para perceber se isto n\u00e3o lhe est\u00e1 a acontecer ou se n\u00e3o o estar\u00e1 a fazer ao outro. As rela\u00e7\u00f5es inter-pessoais podem ser fonte de felicidade e diversidade. Aproveitem essa riqueza, conhecendo e respeitando as pessoas um do outro. A RESPONSABILIDADE DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b&#8221;\u200b+ N\u00e3o ser o \u00abhomem da casa de saias\u00bb pode contribuir para n\u00e3o ser tra\u00edda, ou seja, para aquelas mulheres que dominam tudo porque confiam mais nelas no que neles?\u200b&#8221;<br>Al\u00e9m de o uso da express\u00e3o &#8220;homem da casa de saias&#8221; ser antiquado e ofensivo, j\u00e1 sa\u00edmos dos anos 50 em que uma mulher tinha que ser submissa \u00e0 vontade total do parceiro, amo e senhor, para o suposto &#8220;bem&#8221; da rela\u00e7\u00e3o. Sabemos agora que grande parte desses casamentos eram compostos de duas pessoas extremamente infelizes em situa\u00e7\u00f5es de poder desiguais. Rejeitando padr\u00f5es repetidos por revistas do Estado Novo, e adoptando padr\u00f5es de uma revista feminina actual e do s\u00e9culo XXI, personalidades dominantes poder\u00e3o ser exercidas quer por homens quer por mulheres. Mas uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de compromisso e de aten\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Vista cal\u00e7as ou saias em casa, como entender, mas talvez o melhor, ser\u00e1 que n\u00e3o vistam nada nem um nem outro. Procure ouvir e ser ouvida e lembre-se, A CULPA DE SER TRA\u00cdDA N\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u200b+ N\u00e3o \u00abpesquisar \/ espiar\u00bb as coisas dele, pode contribuir para n\u00e3o ser tra\u00edda? Como resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de olhar para o ecr\u00e3 do telem\u00f3vel quando toca?&#8221;<br>\u200b \u200b\u00c9 normal quando estamos envolvidas com algu\u00e9m que tenhamos alguma curiosidade sobre com quem essa pessoa mant\u00e9m contactos, quais as pessoas mais pr\u00f3ximas e os assuntos que a preocupam. Mas da\u00ed a manter um total controle sobre quem telefona, invadir redes sociais ou qualquer outro tipo de invas\u00e3o de privacidade vai muito. D\u00ea espa\u00e7o \u00e0 pessoa para partilhar mas n\u00e3o se co\u00edba de perguntar e explicar a fonte das suas inseguran\u00e7as. H\u00e1 pessoas mais intuitivas que outras, n\u00e3o confie apenas na sua intui\u00e7\u00e3o, fale com o parceiro e esteja em rela\u00e7\u00f5es em que sente que pode confiar no outro. Se algum dia infligir alguns destes pecadilhos, diga que o fez, pe\u00e7a desculpa e acima de tudo, n\u00e3o o volte a fazer. N\u00e3o se massacre por ter cometido um erro, mas pergunte-se quais as verdadeiras raz\u00f5es da sua inseguran\u00e7a, tem a ver consigo ou com o outro? E a dois disponham-se a resolv\u00ea-las.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b Nada a vai salvar de uma trai\u00e7\u00e3o, sendo uma ac\u00e7\u00e3o pela qual n\u00e3o tem responsabilidade n\u00e3o h\u00e1 nada que possamos fazer. Mas quando entramos numa parceria restam-nos duas coisas, acreditar no outro e no valor daquilo que t\u00eam, regendo-se a si pelos valores em que acredita ou passar a vida em sofrimento antecipado \u00e0 espera de ser magoada, impedindo-se de desfrutar do que de bom est\u00e1 a viver.<br>Haver\u00e3o sempre fases boas e m\u00e1s em cada rela\u00e7\u00e3o e caber\u00e1 a cada um perceber o que \u00e9 imperdo\u00e1vel e cruza as linhas do que n\u00e3o pode acontecer entre voc\u00eas e o que \u00e9 motivo de trabalho e crescimento m\u00fatuo. \u00c9 a cada rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que compete estabelecer o acordo sobre o qual se funda e ir de tempos a tempos percebendo em que ponto se est\u00e1. Dos sonhos partilhados, \u00e0s expectativas. Comuniquem de forma explicita.<br>E se o seu parceiro a trair ou\/ e magoar, entenda, o erro n\u00e3o \u00e9 seu. Aja de acordo com os seus princ\u00edpios e nunca se culpe pelo que o outro decidiu fazer. Perante um acontecimento disruptivo t\u00eam duas sa\u00eddas, permanecer juntos e resolverem o que vos assombra ou cada um seguir o seu caminho. Em ambas, o necess\u00e1rio \u00e9 comunicar.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A convite de uma das Revistas Femininas de maior circula\u00e7\u00e3o em Portugal foi-me pedido que contribu\u00edsse para o artigo &#8220;Guia para N\u00e3o ser tra\u00edda&#8221;. Abaixo dou resposta a alguns dos t\u00f3picos ou dicas que me foram enviados para comentar e completar sobre poss\u00edveis raz\u00f5es que levem a uma poss\u00edvel trai\u00e7\u00e3o.<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":4410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[80],"tags":[192,199,200],"class_list":["post-4408","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-articles","tag-feminism","tag-relationships","tag-thoughts","nt-post-class","","masonry-item","col-lg-6"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4408","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4408"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4408\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}