{"id":4470,"date":"2015-01-26T02:53:00","date_gmt":"2015-01-26T02:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/carmogepereira.pt\/vaiserperfeito\/2022\/08\/29\/copia-electro-sex-deixa-a-energia-passar-2\/"},"modified":"2022-08-30T00:54:33","modified_gmt":"2022-08-30T00:54:33","slug":"mitodomito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/carmogepereira.pt\/pt\/mitodomito\/","title":{"rendered":"O mito do mito do Prazer"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"272\" height=\"300\" src=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/vaiserperfeito\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MITO-696x769-1-272x300.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4465\" srcset=\"https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MITO-696x769-1-272x300.jpeg 272w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MITO-696x769-1-11x12.jpeg 11w, https:\/\/carmogepereira.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/MITO-696x769-1.jpeg 696w\" sizes=\"(max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o C\u00e2ndida Pinto &#8211; Espiga Design<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>*artigo originalmente publicado no blog Capazes<\/p>\n\n\n\n<p>Que corpo de mulher \u00e9 visto como campo de batalha onde muitos ganham, mas poucas vezes ela, n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. Que o seu prazer j\u00e1 foi condenado, proibido, patologizado e transformado no resultado de um processo de pontos por pontos gerais a seguir, tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de tudo quero esclarecer o meu ponto de vista. O orgasmo \u00e9 um direito, n\u00e3o um dever. N\u00e3o serve para satisfa\u00e7\u00e3o de ego nem trof\u00e9u de mais ningu\u00e9m que n\u00e3o quem o sente. Tamb\u00e9m acredito estar nas m\u00e3os do portador e transmiss\u00edvel ap\u00f3s autoconhecimento e saber-se a solo o que \u00e9 o prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o fim nem objectivo de qualquer encontro sexual, entre os muitos que se prop\u00f5em prazer e intimidade parecem-me t\u00e3o ou mais enriquecedores e menos redutores.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos orgasmos, n\u00e3o creio em listas compuls\u00f3rias, nem&nbsp;<a href=\"https:\/\/monicasbox.wordpress.com\/2012\/07\/15\/11-different-types-of-orgasms\/\">11<\/a>, nem&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.womenshealthmag.com\/sex-and-relationships\/types-of-female-orgasm\">4<\/a>, nem 1!<\/p>\n\n\n\n<p>Autodetermina\u00e7\u00e3o do prazer \u00e9 dar a cada corpo a liberdade para encontrar a sua fonte de satisfa\u00e7\u00e3o e cl\u00edmax.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala de ejacula\u00e7\u00e3o feminina trazem-se para cima da mesa, ou cama, quest\u00f5es com que nos debatemos h\u00e1 imensos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ando pelo nome: ejacula\u00e7\u00e3o (claro, est\u00e1), feminina. No meu mundo ut\u00f3pico de diversidade e prazer encontraria um nome para o fen\u00f3meno que n\u00e3o se baseasse na assimila\u00e7\u00e3o de processo fisiol\u00f3gico masculino. Claro est\u00e1 a nossa pr\u00f3stata, gl\u00e2ndulas prost\u00e1ticas, ou, por outro nome, gl\u00e2ndulas de Skene, est\u00e1 envolvida. Um estudo de 2011 de Cassilas e Jannini prop\u00f5e que se divida o conceito de ejacula\u00e7\u00e3o feminina avaliando dois fen\u00f3menos diferentes, ambos com expuls\u00e3o de fluido pela uretra no momento, ou imediatamente posterior, do orgasmo. Quando h\u00e1 uma emiss\u00e3o de baixa quantidade de fluido, leitoso, seria o chamado fen\u00f3meno de ejacula\u00e7\u00e3o feminina,&nbsp;<em>per se<\/em>, enquanto no caso do Squirting (ou esguichar) \u00e9 emitida uma maior quantidade de fluido, proveniente da bexiga, com caracter\u00edsticas de urina dilu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de que este m\u00eas tanto se fala, noutros meses vir\u00e3o outros, chama-se \u201c<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jsm.12799\/abstract\">Nature and Origin of \u201cSquirting\u201d in Female Sexuality<\/a>\u201d e foi, qual bela prenda de Natal, publicado no Journal of Sex Medicine a 24 de Dezembro de 2014. Refere-se portanto ao fen\u00f3meno de Squirt (esguicho) e n\u00e3o de ejacula\u00e7\u00e3o feminina, foi feito com uma amostra de 7 mulheres ginecologicamente saud\u00e1veis, entre os 19 e os 52 anos, com actividade sexual mensal variada (de 4 a 20) e que reportavam epis\u00f3dios de emiss\u00f5es de largas quantidades de fluidos no momento do orgasmo h\u00e1 pelo menos 5 meses. Foram-lhes feitos 3 ultra-sons p\u00e9lvicos, depois de urinarem voluntariamente, antes e depois da estimula\u00e7\u00e3o em laborat\u00f3rio feita quer com sex toys, quer com estimula\u00e7\u00e3o manual e com interven\u00e7\u00e3o dos(as) respectivos(as) parceiros(as) ou n\u00e3o. O l\u00edquido emitido foi adequadamente recolhido para an\u00e1lise. As mulheres: de come\u00e7o com bexiga vazia, a meio da estimula\u00e7\u00e3o com bexiga cheia e ap\u00f3s a expuls\u00e3o com bexiga vazia de novo. Espera-se que com barriga cheia de satisfa\u00e7\u00e3o, mas isso s\u00e3o outros crit\u00e9rios. Embora numa amostra de 7 mulheres houvesse varia\u00e7\u00f5es na quantidade de presen\u00e7a de ant\u00edgeno prost\u00e1tico ou PSA, em todas as amostras havia uma presen\u00e7a de secre\u00e7\u00f5es prost\u00e1ticas, e, sim, urina.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo considera ent\u00e3o a exist\u00eancia de dois eventos distintos no momento do Squirt, urina e secre\u00e7\u00f5es prost\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores destes estudos estimam que 10% a 40% das mulheres experienciem emiss\u00e3o de fluido durante o orgasmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora a prova que nos interessa: em todas as mulheres foi usada estimula\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica directa e todas demonstravam um estado emocional de confian\u00e7a e relaxamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto para mim, sim \u00e9 importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Se formos \u00e0 hist\u00f3ria do discurso sobre o nosso corpo e prazer esta sempre foi cheia de enganos e desenganos, e a constante demiss\u00e3o da nossa voz sobre o nosso prazer. Freud patologizou-nos, Kinsey, Master e Jonhson ajudaram um pouco na nossa liberta\u00e7\u00e3o, assim como Hite, Koedt acusou-nos e Tieffer vai-nos defendendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante as vozes que se levantam, e eu com elas, enquanto ser que urina e j\u00e1 mudou fraldas, posso-vos afirmar que durante a minha pr\u00e1tica tive mulheres a ejacular e esguichar nas minhas m\u00e3os, n\u00e3o cheira a urina, n\u00e3o parece urina. E n\u00e3o precisaria de comprovar com a minha experi\u00eancia.&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/hashtag\/notpee\">N\u00e3o bastar\u00e1 acreditar na palavra das que se pronunciam?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/doctorg.com\/site\/the-g-spot-and-female-ejaculation\/\">Aqui<\/a>&nbsp;encontram a hist\u00f3ria dos estudos caso queiram ler e refer\u00eancias aos v\u00e1rios artigos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me interessa que comprovem a validade do meu prazer ou da outra. N\u00e3o quero tamb\u00e9m que transformem a sexualidade de umas quantas mulheres e viv\u00eancias em pr\u00e1ticas circenses.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura interna do&nbsp;<a href=\"http:\/\/blog.museumofsex.com\/the-internal-clitoris\/\">cl\u00edtoris<\/a>&nbsp;foi descoberta em 2009, e nem todos o assumem ainda. A masturba\u00e7\u00e3o feminina ainda n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica totalmente generalizada e integrada como parte de uma viv\u00eancia sexual saud\u00e1vel. O orgasmo na mulher ainda \u00e9 escrutinado, numa luta entre a medicaliza\u00e7\u00e3o e o autoconhecimento e educa\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa constante de tornar uma viv\u00eancia em algo para todas, que todas temos de ter e dar o mesmo valor est\u00e1 especialmente presente na quest\u00e3o da ejacula\u00e7\u00e3o e squirt. Interrogo-me se n\u00e3o se transformar\u00e1 em mais um trof\u00e9u masculino, porque agora sim, ele tem a certeza que ela se veio\u2026 ali\u00e1s que ELE a fez ter um orgasmo. Nos \u00faltimos anos, livros, guias, multiplicam-se, e em vez de se focarem em aspectos diversos e formas diversas, focaram-se numa&nbsp;<em>trend<\/em>, aprenda a ejacular, ou ainda melhor, fa\u00e7a-a esguichar.<\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia m\u00e9dica vem dar o seu aval ou desaprova\u00e7\u00e3o em estudos contradit\u00f3rios que saem todos os anos. E n\u00f3s ca\u00edmos que nem tordos, de ambos os lados, incompletas se n\u00e3o temos, doentes ou estranhas se nos acontece. O estudo de Salama menciona inclusive a possibilidade de mais uma doen\u00e7a: incontin\u00eancia urin\u00e1ria org\u00e1stica. Os profissionais cada vez mais reconhecem, do corpo e prazer da mulher, das sexualidades, ainda muito se vai saber e descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja hora de tomarmos n\u00f3s a voz, termos m\u00e3os nos nossos corpos (de forma literal tamb\u00e9m), ensinar e prezar o autoconhecimento e validarmos, cada uma de n\u00f3s, a nossa forma de ter prazer, e o prazer que obtemos quando damos ao outro(a)\/s, tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>E perante tanta multiplicidade, procurar desfrutar e obter prazer, deixarmos ao nosso corpo as manifesta\u00e7\u00f5es que tem, vai ganhando e perdendo, e viver uma sexualidade em pleno, sem prescri\u00e7\u00f5es de como deve ser.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Que corpo de mulher \u00e9 visto como campo de batalha onde muitos ganham, mas poucas vezes ela, n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. 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